sexta-feira, 29 de maio de 2015

Sombras da Luz - Capítulo 13

Sombras da Luz ~ Capítulo 13
"Uma descoberta surpreendente!"

31 de Maio de 2018

João estava de volta a Portugal. Depois de se despedir de Razor, uns dias antes, tivera dificuldades em se manter em Barcelona. Sentia-se um bocado perdido e desnorteado. Não sabia o que fazer, nem por onde começar. Aborrecido, foi para a cama fazer uma sesta. Acordou, horas depois, com o estrondo de um trovão enorme.

- “Fodasse, deve ter caído aqui perto!” - pensou, estremunhado.

Levantou-se para ir ver à janela ver o tempo. Estava um dia cinzento, de chuva forte, vento e trovoada. Parecia mais um dia de Inverno que um dia de quase Verão. Desceu as escadas e dirigiu-se para a sala, ligando a televisão.

Sentia-se sozinho.

Levantou-se e foi preparar um chá. Quando voltou, deu com uma repórter a anunciar que havia sido lançado o Alerta Vermelho de mau tempo para aquela região, devido a uma súbita tempestade que surgira, embora os meteorologistas não soubessem explicar como.

Intrigado, João acabou de tomar o chá e activou as suas “defesas”. Não muito longe dali, detectou uma enorme força de energia, que estaria a provocar aquele temporal intenso!

- “Este temporal… Esta energia… Isto é-me familiar!” - comentou João para consigo mesmo, arrepiando-se de seguida!

Invocou Ōkami, Light e Rá. Munido com as suas criaturas, meteu-se num carro que tinha alugado e dirigiu-se para o local onde estava a fonte de energia, quinze quilómetros a sul do local onde se encontrava.

Chegado lá, deparou-se com um cenário catastrófico: ventos ciclónicos rodopiavam sobre o mar, formando enormes trombas de água. Nuvens negras, mais negras que o mais negro dos carvões, rodopiavam à volta de um nevoeiro intenso, que se abateu sobre o local.

O mar enraivecido lançava ondas com mais de 10 metros sobre a praia e contra as rochas. Os trovões ali eram ainda mais estrondosos! Relâmpagos cortavam o céu tempestuoso inúmeras vezes, até que por fim, João pode ver onde estava a causa do fenómeno - um rapaz com uma aura azul-aqua flutuava no ar rumo ao céu… Cantando uma melodia… Uma estranha, porém familiar e triste melodia…

- Não é possível! Ele está…! Ele está a abrir o Portal para o Outro Mundo*! - exclamou João, impressionado, concentrando a sua energia e abrindo as suas próprias asas!

* [Nota do Autor – ver "Vírgulas do Destino: Prisioneiros do Amor" Capítulo 7 e Capítulo 15]

De imediato, ele começou a cantar também, não reparando em 4 vultos que observavam tudo, escondidos atrás de uma rocha. 


[Mikel]

Quero bater as minhas asas brancas,
Até um raio de luz...

Um dos vultos exclama, surpreso:

- Ohhh! Quem é que está a cantar? É o Lord Mikel?


[Mikel]

Mas este céu lá bem no alto,
Já não me seduz...


[Mikel & ???]

Junto a esta chuva fria,
Que me cobre o coração…
Regresso à solidão…
(à solidão...)

A memória ecoa à distância,
Como um grito de dor!
Um grito de dor...!

Hoje as trevas são a minha infância.
E o futuro será o que for.

Dormirei por entre as brumas!
Sonharei que vou chegar!

Ao destino onde um dia,
O...
...Meu coração, me levar!

E os despojos, 
(e os despojos), 

Da minha alma, 
(da minha alma),

Quem os vai recolher?
Como uma pluma,
Que baila no vento...
Assim eu quero viver!


Os ventos sopravam cada vez mais fortes! De repente, os 4 vultos perdem os seus capuzes e virando-se uns para os outros, comentam entre si: 

- Esta voz que canta, não pode ser!

- É a voz do Mikel!

- Ohhh...Vocês já ouviram mesmo bem? Tem uma voz tão triste!!

Uma das misteriosas personagens remata:

- Vamos embora, temos de informar os outros sobre estas novidades! Já sabemos onde está o Lord Mikel! Vamos!

E assim, os 4 seres desapareceram em menos de nada, enquanto João se concentrava o mais que podia para evitar uma catástrofe! O rapaz prosseguia a estranha cantilena, voando cada vez mais alto, decidido a atingir o seu objectivo!


[???]

A memória ficou à distância,
Como um grito de dor!
Hoje as trevas são a minha infância,
E o futuro será o que for!
Dormirei por entre as brumas!
Sonharei que vou chegar!
Ao destino onde um dia,
O... 

[??? & Mikel]

...meu coração, me levar!

[???]

E os despojos da minha alma,
Quem os vai recolher?
Como uma pluma,
Que baila no vento,
Assim eu quero viver!


[??? & Mikel]

Assim a minha fantasia, não vai acabar!!!
Para todo o Sempre, 
O meu Sonho,
Vai-se realizar…!

- Tenho de o impedir! Ele não pode abrir o Portal! Não agora! Tenho de o impedir antes que seja tarde demais! - exclamou João, voando em direcção ao rapaz, que finalmente conseguira abrir o Portal para o Outro Mundo!

- Tu aí! Não vás! Não entres! Por favor, não faças isso! Esse caminho é muito perigoso! - gritou joão, desesperado.

O rapaz voltou-se para ele. Ao vê-lo, exclamou, surpreendido:

- Kuma!!!

João olhou para o rapaz com atenção. Este começava a perder as cores das asas, o que significava que estava a morrer!

- OH NÃO!!! KYLE!! AGUENTA-TE!!! - João voou muito rapidamente e aconchegando o rapaz já inconsciente nos seus braços, partiu rápido que nem uma flecha, rumo a sua casa.

À medida que se iam afastando do local, a tempestade perdia força até que se desvaneceu completamente. Chegados a casa de João, este levou o rapaz para o quarto de tratamentos. Lá começou a tratar-lhe as feridas e a curar-lhe os danos mais fáceis, tentando entender o que se teria passado para ele ter agido daquela forma.

De uma coisa João estava certo: aquele rapaz tinha poderes, tal como ele. Conseguira abrir o Portal para o Outro Mundo e parecia desesperado por seguir em frente e abandonar a Terra. Algo de muito grave lhe devia ter acontecido.

Mais calmo e tranquilo, João sentou-se e começou a passar-lhe energia. O rapaz ainda estava inconsciente, mas agora tal facto ocorria por este se encontrar esgotado. Era bastante alto. Tinha cabelos castanhos, ligeiramente ondulados. Começava a ter alguma barba e possuía várias argolas na orelha direita. Continuava magro e elegante, como sempre fora. João já o reconhecera. Já sabia quem era. Tratava-se de Kyle, um amigo que João não via há já bastante tempo. Passados alguns minutos, os níveis de energia de Kyle estabilizaram e este acordou.

- Own… onde estou? - perguntou, ensonado e com voz débil.

- Olá pequeno! Estás em minha casa! - respondeu João, com um grande sorriso! Tinha conseguido salvá-lo!

- Ownnn! Não pode ser! Kuma!! - exclamou Kyle, sorrindo feliz e abraçando-se a este.

- Quem diria…! Então tu agora andas a provocar tempestades assim do nada? Que raio de história é esta de tu quereres abrir a porta do Outro Mundo, Kyle? - perguntou João, meio a brincar meio a sério. Ele era sempre muito frontal quando era preciso.

Atrapalhado, Kyle corou e baixou a cabeça. Sentou-se na maca e respondeu:

- Estou farto de viver. Estou farto de mim próprio. Estou farto de ser assim. Ninguém gosta de mim, passam a vida a trocar-me ou a trair-me! Estou farto! Farto! Não quero viver mais! - explodiu, começando a chorar.

João abraçou-o com muito carinho e fazendo-lhe festas na cabeça, sussurrou:

- És um tonto, tu. Tens tantas pessoas que gostam de ti… Os teus amigos, a tua família, os teus fãs... E claro, tens-me a mim também…

- Awwwn… és tão kido, Kuma…!

- Não vais deixar de viver por causa das pessoas que te trocam ou te traem. Essas que te fazem isso, simplesmente não te sabem dar o merecido valor. E aqui entre nós, se não o sabem dar, olha, mais vale que saiam da tua vida assim, do que estarem a criar laços ainda mais fortes e a dor aí ser muito mais insuportável…

- Possa, mas já dói tanto! Achas que é possível doer mais? - inquiriu Kyle, com um olhar de perplexidade no rosto. Os seus olhos cor de amêndoa brilhavam.

João suspirou. Com um meio sorriso, respondeu:

- Sim fofo, a dor é muito sobrevalorizada. Não sabemos a verdadeira dimensão dela até a sentirmos realmente. E isso, meu querido, só quando passamos pelas coisas é que atribuímos o devido valor…

- Dói tanto…! Eu não consigo esquecê-lo! Eu quero morrer, Kuma! - exclamou Kyle, recomeçando a chorar, abraçado a João.

- Não existe um remédio infalível para isso, fofo… Quem me dera poder dizer-te outra coisa, mas o único remédio vai soar-te a cliché: o Tempo cura tudo. É verdade. Levará o seu tempo até te levantares e a curares as feridas que sangram agora no teu lindo coração, mas um dia, ele voltará a ficar unido e brilhante!

- Achas que sim? - perguntou Kyle, desconfiado. - Quem me dera acreditar nisso…

- Vais ver só! Tens de acreditar em Ti próprio! É assim que tudo começa! - respondeu João, entre sorrisos.

Um pouco mais animado, Kyle pediu para ver a casa de João. Este mostrou-lhe tudo. Kyle adorou a piscina interior de água quente que João tinha ao lado do jardim. Não tardou muito para que os dois fossem para lá chapinhar e divertirem-se um bocado. João observava Kyle e apercebeu-se que este se movimentava graciosamente dentro de água. Conseguia mesmo nadar no fundo da piscina e deslocar-se, sem dificuldades para respirar durante quase um minuto debaixo de água. Intrigado, João deixou-se estar ali, entretido a brincar com Kyle, mas a dúvida surgiu-lhe na cabeça:

Estaria ele perante o filho de Neptuno?

*****

E no próximo domingo, dia 31 de Maio, o último capítulo!

sombras-da-luz-shadows-of-light-the-son-of-neptune-o-filho-de-neptuno
Sombras da Luz: Despertar ~ Capítulo 14:
"O Filho de Neptuno!" 

quinta-feira, 28 de maio de 2015

Sombras da Luz - Capítulo 12

Sombras da Luz ~ Capítulo 12
"Adeus, meu cavaleiro!"

No dia seguinte…

Razor e João dormiram abraçados a noite toda. O medo envolvia o coração de ambos, mas o carinho que os unia, também. Com o nascer do dia, as criaturas de João regressaram a casa deste, aguardando ansiosas por notícias do seu amo. Deram com este a dormir profundamente. Aliviadas, dirigiram-se para a sala. Embora João estivesse com um enorme peso sob o peito, estava aconchegado e protegido por Razor e as criaturas de João ficaram mais descansadas. Ōkami e Kitsune deitaram-se de barriga para o ar, no chão. Light estendeu-se a todo o comprimento pelo jardim e Rá empoleirou-se numa das árvores do mesmo, pronta para descansar também. Todos eles estavam bastante esgotados da missão que tinham feito para Razor e precisavam de recuperar as energias, dormindo um pouco.

Algumas horas mais tarde, já o sol ia alto, quando João acordou. Continuava a sentir-se mal, mas sabia que aquela dor iria diminuir com o passar do tempo. Tomou um duche e deixou a água cair-lhe pelo corpo com força, bem quente. Fechou os olhos e recordou-se de tudo o que se havia passado nos últimos dias. Parecia incrível que em tão pouco tempo tanta coisa havia acontecido.

Permitiu-se chorar.

Não gostava de chorar em público. Apesar de por vezes ceder a esse ímpeto, ele detestava - considerava aquilo um sinal de imensa fragilidade e evitava a todo o custo chorar na presença de outras pessoas. A cabine do duche abriu-se e eis que surgiu Razor, alertado pelos uivos de João.

- Está tudo bem? - perguntou.

- Sim, sim… Foi só uma alergia ao champô, porcaria de champô, este, caraças! - respondeu João, tentando disfarçar.

Razor lia-lhe os pensamentos e o coração com a maior das facilidades.

- Não precisas de inventar desculpas, Mikel, eu sei... Eu sinto o mesmo.

Os dois rapazes abraçaram-se, choraram e tomaram um bom duche. Vestiram-se em seguida e depois foram tomar o café da manhã. João explicou a Razor que iria viajar até Espanha para tratar do casamento de um casal amigo*.

* [Nota do Autor - ver “Vírgulas do Destino: Prisioneiros do Amor” - Capítulo 31]

- Mas agora não tens carro! Como vais fazer para ires embora daqui? - perguntou Razor, surpreso.

- Tenho mais meios de transporte ao meu dispor! - respondeu João, com uma gargalhada.

Parecia que Razor não conhecia muito sobre o Mundo dos Humanos ainda.

- É verdade que já não tenho o meu carro, mas posso deslocar-me noutro carro, de comboio, de táxi, avião, a pé… Mas eu vou deslocar-me num transporte próprio que recebi há dois anos atrás, prenda do Presidente da Comissão Europeia!

- A sério? Caramba! - exclamou Razor, surpreendido.

- Eu já te mostro o que é. Antes disso… Quero dar-te algo especial, Razor… - sussurrou João, levantando-se da mesa da cozinha depois de tomar o café da manhã e dirigindo-se para a sala. Razor seguiu-o, curioso.

- O que é?

Chegados à sala, encontraram as criaturas de João bastante animadas. Estavam felizes por verem o seu dono de boa saúde! Fazendo festinhas a todos eles, João explicou:

- Razor, as minhas criaturas são, como tu já percebeste, uma parte de mim. Elas são ao mesmo tempo, uma arma e uma defesa. Simbolizam 4 Elementos da minha Natureza. Eu gostaria de partir com todos eles para o Outro Lado do Véu, mas tal não será possível. Só poderei levar um deles comigo. Não os vou abandonar, como é óbvio. Por isso, tendo em conta a relação especial que temos desde crianças, eu gostaria muito de te oferecer a Kitsune. Ela é ágil e matreira como todas as raposas, é ideal para um caçador como tu. Tem a minha sensibilidade e o meu amor por elas. É uma criatura com um enorme significado para mim, até porque…

Razor aproximou-se dos lábios de João e beijou-o fervorosamente.

- Meu Príncipe, sinto-me honrado por tamanha oferenda tua! Não sei o que te dizer!

João sorriu.

- Promete-me que tomas conta da Kitsune. Ela precisa de carinho e de atenção. Para se alimentar, ela alimenta-se da energia da Natureza, por isso, sempre que precisares dos serviços dela, basta invocá-la!

- E como faço isso, Majestade?

João aproximou-se de Razor e sussurrou palavras doces ao seu ouvido. Era uma linda melodia. Razor emocionou-se e arrepiou-se!

Virando-se para Kitsune, João ajoelhou-se e falou com esta para lhe explicar a ela e às restantes criaturas o que iria acontecer. Todas concordaram com o que João havia delineado: ele iria ofertar uma criatura a Razor, outra ao filho de Neptuno, levaria uma consigo para o Outro Lado do Véu e deixaria uma de guarda ali na sua moradia, para quando regressasse. João levantou-se e virando-se para Razor explicou:

- Há um pormenor que ainda não te falei. É sobre os Elementos a que cada um deles pertence. Ōkami pertence ao Elemento Terra. Kitsune pertence ao Elemento Terra. Light pertence aos Elementos Água/Ar. Rá pertence aos Elementos Fogo/Ar.

- Cada criatura pertence a um dos 4 elementos, pelo que entendi. Faltam no entanto mais elementos, certo?

- Exactamente. Tu, a partir de agora, com os teus treinos, poderás ajudar Kitsune a melhorar o seu dom e a evoluir o seu poder, desbloqueando mais elementos para ela trabalhar e te ajudar! Quantos mais elementos a Kitsune tiver, mais ajudas ela te poderá dar! Claro que, o facto de ter mais tipos de Elementos não quer dizer que fique mais forte. É preciso ser bem treinada, daí ter escolhido para ti a Kitsune, sei que tu poderás fazer um bom treino à medida que fores caçando as criaturas malévolas que andam a rondar este Mundo! Não posso contar com os meus pupilos. Vou fechar os dons deles para lhes permitir viverem uma vida normal, eles merecem isso… Não quero que passem pelo mesmo que eu ando a passar… - rematou João, com um suspiro.

Razor olhou para este muito sério. A sua atitude estava mesmo determinada! Ajoelhou-se.

- Mikel, meu príncipe… Agradeço-te esta oferenda tão especial. Prometo-te que cuidarei bem da Kitsune! Cuidarei dela com a minha vida, já que ela é um pouco de ti também! Assim sei que onde quer que estejas, eu poderei comunicar-me contigo, através dela!

João acenou com a cabeça.

- É verdade. Esta é a grande razão para estas oferendas, Razor... Assim, onde quer que eu esteja, por esse Universo fora, basta mandarem recado, que as minhas criaturas conseguem fazê-lo chegar até mim! E claro, elas trarão a minha resposta logo que seja possível! - rematou, piscando o olho.

- Awww, tu és o máximo! - exclamou Razor, abraçando-se a João, cobrindo-o de mimos.

- Hummmm…! Vou sentir falta disto! - sussurrou João, abraçando Razor e retribuindo o carinho.

Instantes depois, João conduziu Razor até ao telhado da casa. Lá estava poisado um pequeno helicóptero!

- Não pode ser! - gritou Razor, espantado.

- Ai pode, pode! Tanto pode, que é neste veículo que vamos viajar agora! Eu vou para Espanha. Onde queres que te deixe, Razor? - respondeu João, divertido, enquanto entravam no helicóptero, sentavam-se e colocavam os cintos de segurança.

João pediu autorização para voar à Torre de Controlo de Aviação Civil: sendo ele Ex-Governador e ainda por cima com a popularidade que obtivera, tivera direito a alguns privilégios - este fora um deles.

- Bom, eu vou para França, por isso, aproveito a boleia até Espanha e de lá vou a pé…

- Estás doido? A pé? Oh Razor, como foi que tu vieste até cá? Não me digas que vieste a pé desde França! - inquiriu João, chocado, colocando o helicóptero a funcionar e as hélices a bater, cada vez mais rápido, para levantarem voo. Não tardou muito para que o pequeno helicóptero, preto com vidros fumados, levantasse voo e seguisse viagem.

- Mais ou menos… Não me dou lá muito bem com os transportes destes seres vivos, sabes? São barulhentos, deitam fumo e fazem as pessoas andar aos berros umas com as outras…

- Mas podes viajar de comboio, de metro, de avião, de autocarro! Não precisas de andar só de carro ou a pé! Também tens barcos! - comentou João, ainda indignado.

- Não gosto de andar em espaços fechados, sabes? Com muita gente à volta… Sinto-me a sufocar, como se estivesse fechado numa gaiola…

- Ah bom, agora percebo. Sim, eu sei o que isso é. Quanto a isso, eu também sou assim! Agora andares a pé essa distância toda, isso é ridículo! A menos que… Olha lá, tu tens meios de sobrevivência? Dinheiro, quero eu dizer? Para comprares comida e assim?

- Nem por isso, Majestade… Vivo daquilo que consigo arranjar…

- Estou a ver… Quando chegarmos a Espanha vamos tratar disso então… Não quero que andes a passar dificuldades, Razor… Quero que te cuides. E que cuides do filho de Neptuno. Sinto que um dia, vocês irão conhecer-se!

Razor virou a cara para João. Este observava o horizonte, concentrado.

- E que mais é que sentes, Majestade, ahrm… Mikel?

João suspirou.

- Por agora, só pressinto isso. Que um dia vocês vão conhecer-se e vão-se dar bastante bem. Por isso, quero que cuides bem de ti e que cuides bem dele. Afinal, depois de eu partir, o futuro deste planeta ficará nas vossas mãos…

Razor remeteu-se ao silêncio depois de ouvir estas palavras. Perdeu-se em pensamentos, ao observar com atenção as paisagens lá de cima, do helicóptero. Tudo parecia tão pequenino! Seria assim que os deuses os viam a eles?

Não tardaram muito para chegarem ao destino, uma moradia em Barcelona. Era lá que João ia ficar hospedado. Os dois rapazes seguiram até um centro comercial, onde João comprou várias roupas e uma enorme mochila para Razor. Em seguida, foram a um supermercado, onde compraram comida e fruta. Depois disso, dirigiram-se a uma casa de chaves, onde João mandou fazer cópias das chaves de sua casa.

Ao fim da tarde, João acompanhou Razor à estação de comboios que ligava Barcelona a França. Comprou o bilhete para Razor, entregou-lhe e pegando numa chave com feitio de borboletas a voar, enfiou-a num fio e colocou-a no pescoço de Razor, dizendo:

- Toma. Esta é a chave da minha casa, lá em Portugal. Aquela onde estivemos, até há bocadinho. Usa-a como refúgio, se precisares ou quiseres viver em Portugal. Ōkami estará lá à tua espera e protegerá a casa de invasores.

- Oh Mikel! - exclamou Razor, preparando-se para abraçar João, mas este impediu-o. Abriu uma carteira, sacou de um maço de notas e entregou a Razor.

- Tens aqui algum dinheiro para te governares nos próximos tempos, fofo. Por favor, tem cuidado contigo. Kitsune proteger-te-á dos assaltantes, dos roubos e da maioria dos males conhecidos e por conhecer. Mas, ainda assim, tem cuidado contigo!

Razor chorava emocionado!

- Oh Majestade! É tão bom para mim! Sinto-me tão feliz!

João corou imenso. Baixou a cabeça, envergonhado e fechou os olhos para evitar chorar ali mesmo. Mas estava difícil resistir…

- Tu farias o mesmo por mim, querido Razor. Não me esqueci que me salvaste a vida. Isso não tem preço. Estas ajudas são pequenas formas de te retribuir o bem que fizeste por mim. Espero um dia poder compensar-te de forma mais justa…


Abraçaram-se e começaram a chorar os dois. Um abraço forte, sentido. João não sabia se voltaria a ver Razor algum dia. Este sentia o mesmo. O choro tornou-se incontrolável. Uma voz roufenha quebrou o encanto. O comboio que Razor deveria apanhar estava quase a partir.

Beijaram-se uma última vez.

Por fim, Razor apanhou o comboio e seguiu viagem.

João virou costas e foi-se embora.

Definitivamente, Barcelona começava a tornar-se a cidade que ele menos gostava no Planeta Terra.

*****
Amanhã, será publicado o penúltimo capítulo de "Sombras da Luz: Despertar"! 
A história terminará no próximo domingo, dia 31 de Maio!

domingo, 24 de maio de 2015

Sombras da Luz - Capítulo 11

Podem ler os capítulos anteriores e/ou outras histórias e contos, clicando aqui.

Sombras da Luz ~ Capítulo 11: 
"As revelações de Razor!"

Muitas horas mais tarde…

- Hummm… Tão bom…! - comentou João, entreabrindo os olhos.

- Ainda tenho sono, Majestade… - respondeu Razor, de olhos fechados, com voz ensonada.

- Podes ficar a dormir, fofo, não precisas de te levantar… A bem dizer, também não me apetece levantar. Estamos tão bem aqui, no quentinho, não é mesmo? - inquiriu João, deitando-se de lado e recostando a sua cabeça sobre o peito de Razor. Este sorriu e abraçou João, beijando-o.

- É verdade, Majestade…

- Sobre isso… Antes de mais… Razor, pára de me tratar assim. Se eu sou um Príncipe como tu afirmas, ao menos trata-me pelo meu nome… Sempre que me tratas por “Majestade” ou “Sua Alteza”, parece que estás a criar uma barreira entre nós… E isso não me agrada… A sério…

- Mas, Príncipe Mikel, é o vosso nome, eu devo tratá-lo assim! É assim que eu o tratava antes!

- O antes foi antes, Razor. Agora é agora. Ao menos chama-me Mikel. Não desgosto do nome e soa-me familiar, não sei porquê…

Razor começou-se a rir e deu-lhe um beijinho na testa.

- Achais familiar porque é o vosso verdadeiro nome, Ma… Mikel! - corrigiu Razor, perante o olhar de reprovação de João, que o olhava intensamente.

- Podes tratar-me por tu, sabes? Se somos assim tão amigos, não precisas de estar com tanta cerimónia, Razor…

- E os protocolos? Se o Rei Gallanos sonha…

- Esse homem é o meu pai, não é? Bem, não me recordo dele, ainda… Decerto será um homem justo e por isso, deixar-me-á decidir pela minha própria cabeça, correcto?

Razor estava sem palavras! De facto, o Príncipe estava muito diferente daquilo que conhecera! Para melhor! Completamente fascinado, Razor beijou-o apaixonado. Quando se soltaram, disse:

- Mikel, quero ficar contigo. Vou lutar a teu lado para regressarmos a casa, a nossa casa! E vou pôr-te a par de tudo o que sei, agora. Eu e tu viemos de uma Estrela-Planeta chamada Spodeth-Alpha. Ela está localizada na 8ª Vibração. É por causa disso que as nossas habilidades espirituais são superiores à maioria dos seres que conhecemos.

- Espera lá, Razor! Se nós viemos desse lugar, como é que viemos aqui parar? O Planeta Terra está na 3ª Dimensão! - perguntou João, começando a recordar-se de mais coisas à medida que Razor ia falando.

- Majestade, como viemos aqui parar, isso eu também não sei. O que sei é que Spodeth-Alpha é uma ilha enorme. Existem várias tribos que prestam contas aos seus pais, o Rei Gallanos e a Rainha Elinee. Os povos que habitam na ilha são variados, mas convivem em harmonia. Todos aceitam-se mutuamente e respeitam-se. Mesmo as Tribos de Anthromorphos, que em diferentes Vibrações foram muito mal-encaradas, em Spodeth-Alpha conseguiram encontrar um local para se estabelecerem e criarem raízes.

- Hummm... - respondeu João, pensativo.

De repente…

… Um flash atingiu-lhe a mente como um raio.

Ele estava em frente de um homem de meia-idade, com uma coroa na cabeça e seguido de uma horda de cavaleiros. Não teria mais do que 14/15 anos. Preparava-se para partir. No seu coração, uma dor imensa: queria muito ficar ali! Não queria partir! Não queria deixar aquela pessoa especial… E de repente… Ali estava ela! Era Razor, com 11 anos, a chorar convulsivamente, espreitando a um canto das cavalariças. Mikel saltou do cavalo e correu para ele, abraçando-o.


- “Não vá! Príncipe Mikel, por favor, não vá!” - suplicava o jovem Razor, entre lágrimas que lhe rolavam pelo rosto.

- “Tenho de ir, Razor… Meu querido Cavaleiro da Lua Eterna…! Como Príncipe do Sol Nascente, é a minha obrigação! Tenho de partir! Por mais que me custe deixar-te! Em breve, juntar-te-ás a mim! Lutaremos juntos contra Garganthis e ficaremos juntos para sempre! Cuida-te, meu pequeno Cavaleiro! Torna-te forte o suficiente para vires ter comigo!

Abraçaram-se e trocaram um beijo.

- “Amo-te!” - sussurrou Razor.

- “E eu a ti!” - murmurou Mikel.

Voltando costas, o jovem príncipe dirigiu-se ao seu cavalo, voltou a montá-lo e passados alguns segundos deu ordem de partida! Ele e a sua horda de cavaleiros seguiram em frente, levantando uma imensa nuvem de poeira…

- Oh meu Deus! - exclamou João, em estado de choque, levantando-se da cama.

- Que se passa? Aconteceu alguma coisa, Mikel? - perguntou Razor, preocupado, levantando-se de imediato.

João partilhou com Razor o flashback que tinha visto e ao contar-lhe tudo, foi a vez de Razor se emocionar! Era tudo verdade! Após mirar João por uns instantes, uma ideia passou pelo seu espírito!

- Majestade…! Acho que já percebi o que nos aconteceu! - exclamou ele, de repente.

- Então, Razor? O que achas que nos aconteceu?

- Anos mais tarde, depois desse episódio que Vossa Alteza... ahrm, que tu relataste, eu próprio alistei-me para as Cruzadas, para partir em busca de notícias tuas! Saber o que te tinha acontecido durante o confronto com o terrível Garganthis!

- E o que foi que aconteceu? Quem é esse Garganthis? - perguntou João, impressionado. Tudo fazia sentido na sua cabeça, à medida que mais flashes surgiam na sua mente.

- Garganthis é um terrível Dragão de 3 cabeças, Alteza… Ele domina as terras que ficam para além do Oceanum Phantanilum, na fronteira com Spodeth-Ómega. Eu não me recordo de que aconteceu após chegar às terras dele, mas recordo-me de ter lá chegado...

- Eu tenho vagas memórias de um céu avermelhado e de um calor sufocante…! - exclamou João - É isso?

- É o que me recordo também! Depois disso, sei que vim parar à Terra e fui gerado novamente e criado entre humanos. Mas tenho passado os meus últimos anos à tua procura…

- Caramba! Como é que tu sabes disso…? Que vieste parar à Terra e assim?

- A minha mãe é Ártemis, a deusa da Lua. É por isso que tenho acesso a algumas informações privilegiadas! De vez em quando a minha mãe tem saudades minhas e vem visitar-me. Eu aproveito e pergunto-lhe algumas coisas… E ela responde, se as coisas não interferirem no meu livre-arbítrio!

- ‘Tás a gozar! A tua mãe é uma deusa? Vai-te lixar, meu! - comentou João, mal conseguindo acreditar naquilo que ouvia.

- Tenho uma prova, se quiseres ver… - respondeu Razor, com um ar sério. Terei todo o gosto em mostrar-ta…

- Força, mostra lá, então… - afirmou João, com ar trocista.

Razor saiu do quarto e foi buscar as suas vestes. Ao chegar ao quarto, virou-se para João e explicou-lhe que as suas vestes tinham sido feitas de um tecido especial, que permitia albergar imensas coisas dentro, sem que pesasse mais, nem se notasse por fora das mesmas.

- Isso dá muito jeito, principalmente em viagens… - ironizou João. - É essa a prova?

- Não, a prova é esta… - rematou Razor, tirando um objecto de dentro da túnica.

- Wow! - exclamou João ao pegar no objecto que Razor lhe entregara.

Era um conjunto de arco e flechas em ouro puro, maciço. As flechas eram leves ao toque e reagiam à energia de João. A ponta era afiada por um material em cristal que João supôs ser diamante. As penas das flechas eram de tons dourados e muito fofas. O cabo era comprido, macio e flexível. O arco tinha desenhos e gravuras da deusa Ártemis. Cenas de caça em miniatura e alguns dizeres numa linguagem desconhecida. Segundo Razor, tratava-se da verdadeira linguagem dos deuses.

- Desculpa ter duvidado de ti, Razor! - exclamou João baixando a cabeça e entregando os objectos de volta ao seu dono. - Nunca imaginei que isto pudesse ser verdade! Esta energia, a poderosa energia que estes objectos emitem, está para além do que eu alguma vez senti… A não ser quando tinha a chave que Hórus me deu…

- Majestade - começou Razor, abraçando-o. - Não tens que pedir desculpas. Eu sei que tudo isto é muito confuso. Pelo menos agora, não estamos mais sozinhos…

Razor ia preparar-se para beijar João, só que este virou a cara.

- Desculpa, Razor… Mas eu tenho que ser sincero contigo…

- Que se passa?

João suspirou. Triste, contou a Razor aquilo que Hórus lhe contara a si.

- Por isso, resta-me pouco tempo neste Planeta. Em breve... Vou-me embora, nem sei eu para onde, mas tenho dúvidas de que vá para Spodeth-Alpha…


- Não, Mikel! Não! O que vai ser de mim?! Demorei todos estes anos para te reencontrar! - exclamou Razor, chocado.

João começou a chorar e com um grande suspiro, continuou:

- Ainda há mais… Durante o tempo que estive cá na Terra, eu vivi um grande amor… Apesar do meu noivo ter morrido em 2010, a verdade é que ainda o amo, ainda penso nele… Depois dele, voltei a viver outro amor, anos mais tarde*… E sabes que mais? Também o vi partir, também o vi morrer**…! Razor… Não é justo para ti, eu estar a iludir-te… A magoar-te e a fazer-te acreditar que é possível existir algo entre nós… Por mais que me custe… Eu posso dar-te carinho, mas não te posso dar mais nada… Por agora… Quando estive com Hórus, ele disse-me que o Ángel… Na verdade... É o Destino Personificado e que veio à Terra numa missão***. Ele veio cá para me “Despertar”. Enquanto eu não o vir uma última vez… Eu não fico bem…! Compreendes isso? Consegues aceitar isso? Consegues perdoar-me? - rematou João, lavado em lágrimas, abraçando-se a Razor, que chorava imenso também.

* [Nota do Autor - ver "Vírgulas do Destino: Meandros da Vida"]

** [Nota do Autor - ver "Vírgulas do Destino: Prisioneiros do Amor"]

*** [Nota do Autor - ver "Sombras da Luz: Despertar"]

- Eu já sabia que ias mencionar isso, meu querido Príncipe Mikel… A minha mãe falou-me deles! Eu próprio também já me envolvi com outras pessoas desde que cheguei a este planeta… Tal como tu… Mas... Sempre mantive a secreta esperança de te reencontrar…!

- Quem me dera que as coisas fossem diferentes, Razor… Acredita que sim…

- Eu sei, Majestade… Eu sei…

João pegou em Razor pela mão e desceram as escadas rumo a uma salinha no subsolo, onde ele tinha instrumentos musicais. Toda preta, com as paredes forradas com algo que impedia o som de se propagar para fora dali. Ao entrarem, João explicou:

- Quando me sinto assim, como me sinto agora, venho para aqui tocar música e cantar. Neste momento, sinto-me um miserável. Estou a magoar-te imenso… Depois de tudo o que fizeste por mim… Eu condeno-me por isso, Razor… Tu não mereces… Mas só faço isto porque não quero fazer-te sofrer…

De imediato, sentou-se em frente a um piano e Razor abraçou-o por detrás e beijou-o, dizendo:

- Mikel… Por favor… Não fiques assim… Eu fico mesmo feliz e emocionado que estejas a reagir assim! Para mim, isso quer dizer que eu sou realmente importante para ti! Por favor, Príncipe Mikel… Não te esqueças de mim…

Este desatou a chorar e de repente, começou a cantar:


[Mikel]

Dizem que nada dura para sempre,
Bem, quem dera que isso fosse verdade…
Porque esta dor no meu coração, não se vai embora…

Dizem que tudo precisa de mudar,
Dizem que o Tempo vai curar tudo…
Bem, eu escutei-os e esperei por esse dia…

Mas, eu acordo com esta raiva,
E a dor, não me deixa viver em paz!
E o sorriso que mostro,
É só de aparência!

Se eu me prender a esta dor,
A minha alma não será livre!
Então, eu continuo a tentar,
Mas… Eu não consigo seguir em frente!

Não consigo seguir em frente!
Eu preciso da dor para me lembrar!
Não consigo seguir em frente!
Ou apenas repetirei o passado!

E apesar dos teus braços dizerem: sim!
Eu sinto o meu coração continuar a dizer: não!
Eu quero-te amar!
Mas eu não consigo seguir em frente…

Já passei por começos ruins,
Já vivi finais infelizes.
Então, fecho o livro,
Antes que a história comece…

Sou uma testemunha da vida,
Um estranho para os meus amigos!
Sou um traficante
De corações partidos e magoados!

Agora, tu pedes para eu recomeçar
Mas é mais fácil dizer do que fazer!
As memórias, são tão fortes quando chegam até mim!

E quando a dor chega,
Eu nem tento fugir!
Porque é isso que me faz sentir vivo!

Eu não consigo seguir em frente!
Preciso da dor para me lembrar!
Eu não consigo seguir em frente!
Ou apenas repetirei o passado!

E apesar dos teus braços dizerem: sim!
Eu sinto o meu coração continuar a dizer: não!

Eu quero amar-te!

Eu quero amar-te!

Eu quero amar-te!
Mas eu não consigo seguir em frente!

Não, eu não consigo seguir em frente!

Tu ajudas-me?
Ajudas-me a seguir em frente…?

Razor e João choravam incontrolavelmente quando este acabou de cantar.

- Oh meu príncipe! Que canção tão maravilhosa! É tão linda! Tal como tu! Eu amo-te!!

- Ainda bem que gostaste, meu cavaleiro! Eu tenho coisas para fazer antes de me ir embora deste Planeta… Preciso de encontrar o filho do deus Neptuno. Tu, que és filho de uma deusa, já ouviste falar dele? Hórus disse que eu o conhecia!

Razor negou com a cabeça.

- Nunca ouvi falar dele, Mikel… Mas se Hórus te disse que ele está neste planeta, então certamente vais ter notícias! Não desanimes!

- Espero bem que sim! Não faço a mínima ideia de quem possa ser e já não me resta muito tempo… - suspirou João, limpando as lágrimas que teimavam em cair-lhe pelo rosto.

Razor beijou-o e seguiram, escadas acima, para o quarto deste, onde se deitaram, abraçados.

Cada segundo contava.

sábado, 23 de maio de 2015

Troll Moments! #02


Sim, isto acontece, mais do que se imagina. Infelizmente, só quando acontecer uma tragédia é que às tantas alguém se revolta e solucionará o problema.
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