Aviso aos Leitores:

Até terminar o conto "Prisioneiros do Amor", salvo raras excepções, não publicarei outros conteúdos no blog. Tenho andado bastante ocupado com um curso que ando a fazer, entre outras coisas igualmente importantes.

Apesar disso, continuarei a visitar e a comentar os vossos blogs sempre que estiver disponível. Obrigado!

segunda-feira, 28 de Julho de 2014

Vírgulas do Destino: Prisioneiros do Amor ~ Capítulo 25

Podem ler os capítulos anteriores, aqui.

Vírgulas do Destino: Prisioneiros do Amor ~ Capítulo 25
"A recompensa de Mark!"

5 de Maio de 2014

Depois das confusões no 25 de Abril, George e Milú remeteram-se ao silêncio. Passaram a encontrar-se todos os dias, bem como Kojiru e Jéssica. Estes últimos já não conseguiam esconder totalmente o que sentiam. Quem estivesse muito atento ao comportamento deles, perceberia que estes estavam completamente apaixonados. Os seus Conselheiros acompanhavam-nos mas na grande parte do tempo, Howl estava com Sophie, enquanto os restantes deambulavam pelos jardins do Palácio onde se reuniam diariamente, debatendo uma infinidade de temas.

Todos ficaram em estado de choque com a notícia que João estava doente. Mais ainda ao verem-no com o lenço na cabeça. Este não se sentia à vontade para andar com a cabeça a descoberto. Ele estava nervoso com a cirurgia que ia fazer e que se aproximava a passos largos, já que só faltavam dois dias para ser internado. 

Naquele dia, porém, uma surpresa aguardava João e Mark. Ambos tinham sido convidados para uma entrevista num canal de televisão! Assim, depois de um rápido meeting com todos os Conselheiros, eles os dois seguiram para o estúdio de televisão, já que a entrevista ia decorrer durante a emissão de um programa, depois de almoço!

Um bocadinho nervosos e ansiosos, eles deixaram-se envolver por toda a magia por detrás de um programa de televisão! Os bastidores, as confidências, os "corre-corre" de uma vasta equipa de profissionais: eletricistas, limpezas, marceneiros, cenógrafos, coreógrafos, dançarino(a)s, apresentadores(as), cameramen, cabomen, editores(as), diretores(as), contra-regra, maquilhadores(as), figurinistas, iluminadores(as), técnicos de áudio, etc.

Encantados, os dois amigos foram recebidos pela apresentadora do programa, que lhes fez uma visita guiada pelo espaço. Depois de passearem por todo o lado e tirarem algumas dúvidas, foram encaminhados para uma grande sala de maquilhagem, onde foram preparados. Dali seguiram para uma outra salinha, onde iam acompanhando o programa, junto com outras pessoas que iriam participar no mesmo. A entrevista deles ficou combinada para a última parte do programa, pois era considerada uma entrevista importante e assim, mais público poderia assistir. 

Quand chegou a hora, uma colaboradora do programa veio chamá-los à sala e com um sorriso nervoso, ambos seguiram para o espaço onde decorria o programa. Atrás de uma porta, ouviam a apresentadora a explicar ao público presente e às pessoas que acompanham o programa pela televisão, o que ia acontecer:

- E agora, senhores telespectadores, vamos passar ao momento alto do programa de hoje! Quero uma grande salva de palmas para os convidados que se seguem! São eles Lord João, representante e Chefe dos Conselheiros das Terras do Norte e o Historiador Mark, representante e Chefe dos Conselheiros das Terras do Sul!   

Todas as pessoas presentes no estúdio levantaram-se e começaram a bater palmas. João e Mark entraram, sorriram e fizeram várias vénias, murmurando "obrigado" às pessoas, enquanto se dirigiam ao centro do estúdio e cumprimentavam a apresentadora. Depois das saudações iniciais, a simpática anfitriã começou a fazer perguntas aos dois amigos, umas vezes dirigidas a João, outras a Mark. Por vezes, ambos respondiam ao mesmo tempo, rindo-se um para o outro. O público escutava as respostas dos dois jovens com muita atenção, já que eles eram figuras muito próximas dos líderes que governavam o país.

Não tardou muito para que a apresentadora puxasse "a brasa à sua sardinha", que é como quem diz, começasse a fazer perguntas mais pessoais a ambos. Ambos iam respondendo com alguma reserva às questões, sempre que possível tentando contornar as respostas, principalmente nas questões relacionadas com o amor e relacionamentos. Mas a dada altura, a apresentadora fez "xeque-mate" a Mark.

- Bom, o Mark escreveu-nos a algum tempo atrás a pedir-nos ajuda para encontrarmos uma pessoa especial. Quer partilhar com o público um pouco dessa história?

Mark, que ao ouvir aquilo ficou branco como cal, olhou para João, completamente aterrorizado. João sorriu-lhe e disse-lhe baixinho:

- Não tenhas medo! É a tua grande oportunidade! Abre o teu coração e diz tudo o que sentes!



Sorrindo um pouco, Mark acenou com a cabeça. Bebeu um pouco de água e começou a falar:

- Bom, tudo começou há algum tempo atrás... Eu sempre fui um rapaz muito solitário e independente. Um dia, depois de acabar o Mestrado, conheci um amigo especial... Estava eu na Torre do Tombo a estudar documentos, quando ele apareceu. Procurava um livro muito antigo, que segundo ele, o avô lhe tinha recomendado. Ele encantou-me desde o primeiro momento em que o vi. Lindo, simpático, educado, muito culto, inteligente. 

Mark pegou num lenço e assoou-se. Falar de Thiago, o rapaz que conquistara o coração dele e de quem nada sabia havia meses, provocara-lhe uma vontade enorme de chorar. Bebeu mais um pouco de água e suspirando, prosseguiu:

- Nós começamos a conversar, a trocar ideias. Cedo me apercebi que ele era uma pessoa especial para mim e, para grande alegria minha, ele também adorava estar na minha companhia... Passei a começar a olhar para o relógio vezes sem conta, a contar os minutos que faltavam para voltar a estar com ele...! - rematou Mark, baixando a cabeça, bastante envergonhado.

O público suspirava e exclamava "awwwwww". João sorria e passava as mãos pelos ombros de Mark, encorajando-o a continuar a falar. A apresentadora olhou para Mark, sorriu e continuou:

- O Mark escreveu-nos a pedir ajuda há algum tempo atrás, pois queria que o ajudássemos a encontrar o seu amigo. Infelizmente...da nossa parte, não conseguimos obter informações... 

- Oh não!! Eu gosto tanto dele!! Queria tanto voltar a vê-lo! João, eu amo-o!!! - exclamou Mark, abraçando-se a João, enquanto chorava.

A apresentadora pigarreou e disse:

- Hum hum, como eu estava a dizer, da nossa parte não conseguimos obter informações, mas... 

Mark perguntou:

- Mas...?

A apresentadora mantinha um ar de expectativa, até que de repente sorriu e disse: 

- Lord João conseguiu!

Mark levantou a cabeça e olhou para João! Este sorria, ternurento! A apresentadora virou-se para o público e anunciou:

- Minhas Senhoras e meus senhores... Caríssimos telespectadores...! Que entre por aquela porta... Thiago, o amigo especial do nosso convidado!

E assim, a porta por onde João e Mark tinham entrado voltou a abrir-se e Thiago surgiu!



Este estava vestido com um blazer vermelho-tinto acetinado e com uma camisa preta com efeitos dourados que lhe assentava bastante bem. Vestia uns jeans azuis escuros. Calçava uns mocassins pretos e na mão direita, trazia um ramo de rosas arco-íris, que fez as delícias do público ali presente! Ao ver Mark, fez um grande sorriso! 

Por sua vez, Mark, quando o viu... 

- Oh meu Deus!! João!!! Eu não me acredito! É ele!! Thiago!!! - gritou Mark, levantando-se e correndo para Thiago, abraçando-se a ele, enquanto chorava e ria ao mesmo tempo! 

- Mark!!! Meu querido Mark!!! - sussurrou Thiago, abraçando-se a ele, chorando e rindo também.

Mark e Thiago deixaram-se estar abraçados, sem nada dizerem. Passado algum tempo, olharam-se nos olhos e com um grande sorriso, beijaram-se, apaixonados!

Foi o delírio total! 

João e a apresentadora sorriram um para o outro! Estavam bastante emocionados! Todo o público levantou-se e começou a bater palmas, enquanto Thiago e Mark se aproximavam de mãos dadas da apresentadora e de João. Ambos deram um abraço e beijinhos à apresentadora e depois a João. 

Quando os ânimos serenaram, a apresentadora recuperou a compostura e começou a questionar Thiago sobre a sua história e o que tinha acontecido com ele. Thiago foi respondendo a tudo, mas quando chegou à parte do seu afastamento, pediu desculpas mas disse que isso seria um assunto que não queria conversar. Prontamente, a apresentadora virou-se para Mark e com um sorriso rasgado, perguntou:

- Como se sente agora que tem o seu amigo de volta?

A resposta de Mark não se fez esperar.

- Sinto-me nas nuvens! - rematou, com um grande sorriso, voltando a trocar um beijo com Thiago. 

Este, por sua vez, levantou-se, ajoelhou-se à frente de Mark e declarou:

- Mark, meu querido e lindo Mark... Tu és grande. Diante da grandeza demonstrada por ti, eu fui capaz de despir a minha alma, para mostrar a dimensão do meu amor e que até então estava presa, dentro dum coração cheio de sonhos por realizar. Um belo dia, cruzamos-nos e entraste no meu coração. Sem pedires licença, tomaste conta de um espaço sem medida mas, provaste que esse mesmo espaço tem a medida certa para o teu coração, que é repleto de amor. O caminho da minha felicidade está depositado em cada abraço que damos e em cada afago aconchegante que trocamos. Estar nos teus braços é como estar preso numa corrente de palavras de amor e de doçura. É incrível como em tão pouco tempo fomos capazes de sentir que estávamos num pedaço do céu, colorido, um verdadeiro arco-íris! Quando chega a hora de nos separarmos, eu sinto que é como a noite que rouba o dia! Como a noite que traz as estrelas e na sua ausência vem perfumada com uma saudade imensa, um beijo quente, um abraço só nosso! Que saudades eu tinha do cheiro suave da tua pele e do sussurrar das palavras que engrandecem e elevam a alma! 

O público suspirava e aplaudia, em êxtase! Mark estava lívido, completamente boquiaberto! Thiago tirou uma caixinha do bolso do casaco e sorrindo, abriu-a.

- Mark, eu quero sentir essa vontade de estar sempre do teu lado e poder ter a tua presença que para mim tem o sabor de "eu quero mais". Sim, eu quero estar mais perto do teu coração. Por isso... Mark, aceitas casar comigo..? 

Ao ouvir isto, Mark, que chorava de alegria, levantou-se em estado de choque! Olhou para todo o lado, balbuciando palavras incompreensíveis. O público começou a ovacionar!! Tanto João como a apresentadora ficaram sem palavras! Que grande surpresa! Mark, que ficara completamente estupefacto, virou-se para João, como que a pedir ajuda! Este riu-se e exclamou:

- Chegou a hora de lutares pela tua Felicidade! Diz-lhe que sim, meu tonto!! Tu mereces ser feliz!

E assim, Mark suspirou e voltando-se para Thiago, acenou que sim, entre lágrimas!

- Sim! Eu aceito, Thiago! Os meus pensamentos são livres para ir a qualquer lugar....mas é surpreendente a frequência com que eles "viajam" na tua direcção! - exclamou Mark, aproximando-se de Thiago e beijando-o. 

Este retribuiu e os dois abraçaram-se muito felizes! Passados alguns segundos, Thiago virou-se para João, fez-lhe uma vénia e disse:

- Lord João, não tenho palavras para descrever a alegria que eu sinto! Deste-me a maior de todas elas! Jamais poderei retribuir-te! Aceitas...ser nosso padrinho de casamento?  

Por esta é que João não contava! Com um olhar de espanto e sem reacção, foi a vez deste ficar corado que nem um tomate, sem saber o que dizer! Mark aproximou-se dele e insistiu:

- O Thiago tem toda a razão! João, será uma grande honra para mim se tu aceitares!

Olhando para uns e para outros, João sorriu e respondeu que sim, que aceitava ser padrinho deles, perante o júbilo da apresentadora e do público ali presente! 

A apresentadora anunciou que o programa estava a chegar ao fim. Todos se despediram e os três amigos ainda ficaram bastante tempo no estúdio, pois muita gente queria felicitar o jovem casal e desejar-lhes as maiores felicidades! Hora e meia mais tarde, Mark, João e Thiago vieram-se embora da televisão, procurando um local sossegado para conversarem à vontade. Deixaram-se estar durante um bom bocado na conversa. Quando deu pelas horas, João disse:

- Meninos, gosto muito de estar na vossa companhia, mas está a ficar tarde! Tenho de voltar para o Porto!  

Mark ficou um pouco triste com isso. Thiago também.

- Tens mesmo de ir? Podias ficar em minha casa, João... - replicou Mark.

- Sabes, é que eu tenho de ir preparar as coisas, já que depois de amanhã dou entrada na clínica...

- Ah, pois é... És operado dia 9, certo?

- Sim... 

- Então conta comigo! Levarei o cofre e a lira! Dê lá por onde der!

João sorriu. 

- Obrigado!

Mark negou com a cabeça.

- Não digas asneiras! O que tu fizeste por mim e pelo Thiago não tem preço! - rematou, abraçando-se a João. 

Thiago acenou com a cabeça e sorriu para João.

- Assim é! Por favor, Lord João, se eu puder ajudar-te de alguma forma...é só dizer!

João abraçou Thiago e sorrindo, respondeu:

- Por agora, basta que cuides bem do Mark. Fá-lo muito feliz, ouviste? Ele merece! Quanto ao resto, logo veremos... As coisas vão mudar para o vosso lado. Sabem disso, certo? A governadora Milú e companhia a esta hora já devem saber do que se passou esta tarde... É mais do que provável que haja consequências...

Mark suspirou fundo.

- Eu sei...e tenho algum medo, mas sei que agora não estou mais sozinho. Tenho o Thiago e tenho-te a ti também, João! Vamos acabar com esta guerra e trazer a liberdade duma vez por todas!

- Claro que sim! Não nos podemos precipitar, mas estamos no bom caminho! E agora meninos, tenho mesmo de me ir embora! Até breve! - rematou João, com um grande sorriso, enquanto virava costas.

Depois de entrar no comboio que o levaria de regresso ao Porto, João aconchegou-se à janela e suspirou.

 - "...eu também quero ter um final feliz..." - pensou ele, antes de adormecer.

9 de Maio de 2014

João já estava farto de estar na clínica. Ainda não tinha sido operado, mas naqueles dois dias desde que fora internado, já tinha feito inúmeros exames e raios-x. Por fim, a Dra. Yolanda apareceu e explicou a João os últimos procedimentos antes da cirurgia. Depois disso, encaminhou-o para a sala de operações, onde lhe deu uma anestesia local e uma anestesia geral. Este olhava para a luz que pairava acima da sua cabeça e, em menos de nada, adormeceu.

[Continua...]

quarta-feira, 23 de Julho de 2014

Vírgulas do Destino: Prisioneiros do Amor ~ Capítulo 24

Podem ler os capítulos anteriores, aqui.

Vírgulas do Destino: Prisioneiros do Amor ~ Capítulo 24
"A Irmandade dos Dragonz!"

Ao receber as informações, Agostinho de imediato informou Artemisa. Esta riu-se divertida. Os dois ficaram a conversar durante bastante tempo, pois Artemisa começava a conceber um novo plano...

22 de Abril de 2014

João e Howl estavam de regresso ao Porto. Desta vez iam ficar alguns dias por lá. João tinha de ir ao IPO para se informar sobre o local e a data para fazer a cirurgia. De lá seguiu para uma clínica, onde o processo dele estava a ser seguido por uma médica chamada Yolanda. Ela era uma mulher de 32 anos, média estatura, cabelos castanhos escuros, pelos ombros. A sua pele tinha um tom bronzeado dourado. Os seus olhos eram castanhos escuros e o seu sorriso era bonito. Delicada mas frontal, ela explicou a João como iria decorrer a cirurgia e os tratamentos que se seguiriam.

- Se quiser, pode aguardar, mas pessoalmente, quanto mais cedo cortar o cabelo, melhor. É uma decisão difícil e que faz sofrer as pessoas muitas vezes, mas, se esperar pela altura dos tratamentos, estará ainda mais fragilizado do que agora e será muito pior...  

- Acho que tem razão... Sendo assim, é possível tratarmos disso ainda hoje?

- Sim, claro! Espere só um momento, que vou informar-me. - Pegando no telefone, a médica conversou com alguém e depois de desligar, olhou para João com um sorriso.

- João, pode ser hoje sim. Temos uma equipa pronta para o atender daqui a pouco. Quanto à cirurgia, fica marcado para dia 7 de Maio a sua entrada na clínica. A operação será feita dia 9 de Maio, ao meio dia!   

- Dra, tudo ficará bem?

- Sim, não se preocupe! O Dr. Sanchez abordou as suas preocupações no relatório. Posso garantir-lhe que da nossa parte, tudo faremos para que possa retomar uma vida tão normal quanto possível, dentro das possibilidades. Já sabe que a cirurgia é apenas o primeiro passo. O tratamento é muito importante. Mas temos bons profissionais e pode contar comigo também, para o que for necessário. 

- Obrigado. Acho que isto é muito importante... Obrigado.

A médica levantou-se e encaminhou-o para uma sala mais escondida e reservada. Era ali que os pacientes rapavam o cabelo. Com um pequeno sorriso, alguns profissionais convidaram João a sentar-se. Explicaram-lhe o que iam fazer. Respirando fundo, ele aceitou e depois de se olhar ao espelho, com atenção, acenou com a cabeça. 

E assim foi. Aos poucos, foram-lhe cortando os seus longos cabelos. João mantinha-se de olhos fechados, pois não queria ver aquilo. Sentia-se nú. Ao fim de algum tempo, um dos cabeleireiros disse-lhe que já podia abrir os olhos.

- Não quero! Não quero ver! Tenho medo! - respondeu João, perante a insistência do cabeleireiro.

- O cabelo voltará a crescer depois de terminados os tratamentos. Há-de crescer mais forte e bonito que antes! 

Howl aproximou-se e sussurrou-lhe ao ouvido:

- Estou aqui. Coragem. Não estás sozinho... - E apertou-lhe o ombro.

Por fim, sentindo-se um pouco mais seguro, João abriu os olhos. Ao ver-se completamente careca, começou a chorar, triste. Fora um choque grande. Apesar de estar consciente disso, era um momento difícil. Howl abraçou-se a ele e disse:

- Está tudo bem... Tens aqui uma prendinha para te animares! 

- O que é?

- Abre e já vês!

Quando se acalmou, João abriu o pequeno embrulho e descobriu um lenço castanho!


- Assim já podes sair à rua sem te fazerem perguntas! - exclamou Howl, com um meio sorriso.

- Obrigado... - respondeu João, colocando o lenço na cabeça. Sentia-se vazio e muito leve. 

- Bom, vamos andando?

- Sim, vamos lá! 

E assim, os dois amigos foram almoçar a um restaurante na cidade Invicta. Às 15 horas dirigiram-se para a Avenida dos Aliados, onde João havia combinado encontrar-se com os seus pupilos. Chegados lá, sentaram-se num banco do jardim e deixaram-se estar à espera.  Alguns minutos mais tarde, um grupo de pessoas aproximou-se deles. 

- Light? És tu? - perguntaram.

João levantou-se e sorrindo, respondeu:

- Sim, sou eu mesmo! Como estão vocês?  

De imediato, todos exclamaram: "é ele!" e quiseram cumprimentar João, abraçando-o. Dali seguiram para os jardins do Palácio de Cristal, onde podiam conversar mais à vontade. Lá chegados e depois de escolhido um sítio acolhedor, João fez as apresentações. 

- Dragonz, este é o meu pupilo mais recente. O seu nome é Howl! - Como Howl se sentisse envergonhado, João continuou, apontando para o grupo de rapazes e raparigas que ali se encontravam - Fire, Ice, Sun, Thunder, Moon, Forest, Wind, Wolf, Fox, Metal, Earth, Phoenix... - De repente João parou e admirado, perguntou:

- Já era para ter perguntado à bocado, mas... Onde está o Dark Dragon? Ele está atrasado como de costume..!

O rapaz a quem João chamou de Wind Dragon aproximou-se cabisbaixo e respondeu:

- Light... Tu tens de ser forte...

- Porquê? O que aconteceu?

- Ele morreu ao salvar a namorada de um homem que a tentava violar... O tal homem deu-lhe vários pontapés na cabeça com toda a força e ele não resistiu aos ferimentos...   

- Não!! O Dark, não!!! - exclamou João, chocado. 

Wind abraçou-se a ele e os restantes também. Infelizmente, João estava inconsolável. Já tinha perdido Ángel, o Angel Dragon. No início da guerra, perdera o seu próprio irmão, Water Dragon. Poucas semanas antes do reencontro com os seus pupilos, perdera Michi - o Snow Dragon. E agora tinha perdido o seu grande amigo e companheiro de longa data, Dark Dragon. Quando se acalmou, João explicou a Howl como funcionava a Irmandade dos Dragonz e perguntou-lhe se ele queria entrar, ao que este respondeu de imediato que sim que queria entrar e colaborar o mais que pudesse.

- Muito bem, assim sendo passas a ser o Black Dragon! Pessoal, dêem as boas vindas ao nosso novo membro, Black Dragon!

Todos os restantes saudaram-no. Depois disso, João explicou a todos o que se estava a passar em Portugal e todos os seus pupilos entregaram os ficheiros que Michi lhes tinha enviado! Finalmente, ele estava muito perto de descobrir a verdade!

- E assim meus amigos, eu preciso da vossa ajuda! Temos de desmascarar os traidores e apanhar as pessoas que assassinaram Michi! Só assim vamos conseguir abrir as portas da liberdade!

- Sim! - gritaram todos em uníssono. 

- Hum...além disso... - João tirou do bolso a fotografia de Thiago - eu preciso de encontrar este rapaz. Existem fortes possibilidades dele se encontrar aqui, nas Terras do Norte. Qualquer pista sobre o seu paradeiro, por favor comuniquem-me! É um pedido especial para um amigo que nos está a ajudar!

Como todos concordassem de imediato, João entregou-lhes uma cópia da foto e depois de trocarem contactos, aos poucos os dragonz começaram a dispersar.    

25 de Abril de 2014 

A manhã daquele dia acordou cinzento. O povo saiu às ruas, revoltado! Já estavam fartos da inércia dos governantes! Tanto nas Terras do Norte, como nas Terras do Sul, as pessoas lutavam contra os defensores dos regimes actuais! E enquanto lutavam, cantavam um tema muito familiar...




[Amália]

Grândola vila morena
Terra da fraternidade
O povo é quem mais ordena
Dentro de ti ó cidade
Dentro de ti ó cidade
O povo é quem mais ordena
Terra da fraternidade
Grândola vila morena

Em cada esquina um amigo
Em cada rosto igualdade
Grândola, vila morena
Terra da fraternidade
Terra da fraternidade
Grândola, vila morena
Em cada rosto igualdade
O povo é quem mais ordena

À sombra duma azinheira
Que já não sabia a idade
Jurei ter por companheira
Grândola a tua vontade
Grândola a tua vontade
Jurei ter por companheira
À sombra duma azinheira

Que já não sabia a idade...


Tanto George como Milú encontravam-se com os seus Conselheiros, pois não estavam à espera daquela reacção. O povo mostrava-se muito decidido. O que fazer? Ambos compreenderam que tinham de tomar uma decisão grandiosa ou tudo estaria perdido... 

Eis que de repente, Kojiru e Jéssica apareceram na televisão e discursaram para todo o país. O discurso de ambos incentivava o povo a acalmar-se e a deixar de estragar os bens alheios. As pessoas, surpreendidas pela atitude corajosa dos jovens, começaram a dispersar e a acalmar-se. 

- "Uma nova era estava quase a começar..." - sussurrava-se por todo o país.  


[Continua...

sábado, 19 de Julho de 2014

Vírgulas do Destino: Prisioneiros do Amor ~ Capítulo 23

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Vírgulas do Destino: Prisioneiros do Amor ~ Capítulo 23
"Horkos Plegma"


João ligou a Howl e começaram a conversar.

- Então campeão! Parabéns! A final do Torneio vai ser onde? 

- Vai ser nos Açores! Já estás em Portugal? 

- Já sim! Cheguei ao início da tarde e tive uma seca duma reunião com todos os Conselheiros... Bem, sendo assim ainda te vejo daqui a pouco!

- Sim, nós vamos directos daqui! E vocês?

- Nós vamos embora não tarda também!

- Bem, vou arrumar as minhas coisas, até logo! Abraço! - despediu-se Howl

- Façam boa viagem! Abraço grande, campeão! - rematou João, desligando em seguida.

Kojiru aproximou-se de João e disse que estava tudo pronto para regressarem aos Açores. João acena com a cabeça. Estava muito cansado. Quando já ia sentado no HEVA, recebeu uma mensagem que dizia:

- "Light, está tudo pronto! Já avisei os restantes! Encontramo-nos quando?"

Ele respondeu:

- Encontramo-nos dia 22 de Abril, na Avenida dos Aliados, às 15 horas! Abraço!

Posto isto, colocou o telemóvel em modo de silêncio e ficou a olhar pela janela. Deixou-se estar assim até adormecer. Kojiru ainda trocara umas palavras com ele, mas João não se mostrara disponível para mais conversa. Algumas horas depois, desembarcou nos Açores. Animado, correu para a sala de música, onde se sentou a tocar e a escrever uma nova letra! Ao ouvirem a música, Kojiru, Acácio e George surgiram na sala, observando João. Quando este terminou, virou-se para eles e disse:

- Quando o Howl chegar, vamos tocar uma nova canção!

Todos começaram a rir-se e seguiram para a sala de jantar, onde Sheila os aguardava. Howl chegou pouco tempo depois, fazendo uma grande festa a João. Tinham estado tanto tempo sem se verem! Depois de um longo abraço e muita ternura, sentaram-se à mesa para jantarem, enquanto Howl, entusiasmado, ia contando as peripécias do torneio até ao momento.

Depois de jantarem, seguiram para a sala de música, onde João anunciou que já tinha uma nova canção pronta!

- Eu aproveitei o tempo que estive fora para preparar e escrever novas canções para a banda! Esta é uma delas! A letra está em código, mas creio que as pessoas vão compreender o que queremos dizer! - exclamou ele, sentando-se à bateria e entregando as partituras aos demais.

Os colegas leram-na e tomaram as suas posições. Quando viu que estavam prontos, João deu sinal para começarem a tocar:  
  

[Kojiru]

Uma rápida execução, flecha! 
Uma meta flexível! 
Um pensamento, flecha! 
Somos nós agora! 

[Acácio]

Há tardes de lazer que nos provocam bocejos 
Mas, com uma alegria de alguém, nos reunimos! 
Embora há tempos atrás eu tenha apanhado um choque e desacelerado, 
Acho que os meus pés estão a caminhar rumo à liberdade e eu começo a correr! 

[João]

Eu pergunto a mim mesmo, sob as estrelas da noite, se vai ficar tudo bem 
Mas, honestamente, não devo perder tempo a perguntar isso! 
"Se tu acreditas nos teus sonhos, tu definitivamente ficarás bem!" 
É isso mesmo! Devo reflectir nas palavras dos meus companheiros! 

[Howl]

Uma flecha mais forte do que o rock! 
Um sonho maior do que o céu! 
Mais importante que tudo! 
Sim, um dia isso será nosso! 

[Kojiru, Acácio, Howl, João]

Aponta para a frente como uma flecha! 
Deixa um monte de setas brilhar! 
Tu és um arqueiro também!

Howl tinha a final do torneio no dia seguinte e já estava muito cansado. Assim, pediu a João para irem para o quarto e este despediu-se de Kojiru e de Acácio, que também recolheram aos seus quartos. Quando estavam no seu quarto...

- Então? O que me trouxeste de prenda? - perguntou Howl, todo excitado.

- Advinha lá...

- Ohhhh...fogo! Diz mas é!

- Tcharan!!! - João entrega um embrulho a Howl que ao ver o mesmo, fica em choque! Era uma camisola do Barcelona, personalizada!

- Não posso acreditar! Pahh! Tás a gozar comigo, só pode! - respondeu Howl, completamente extasiado! Uma camisola do Barça! E com o meu nome e número favorito! Oh... João...!

- Gostaste?

Howl abraça-se a João e deixa-se estar assim, sem nada dizer. João retribui, sorrindo.   

- Amei! A sério! Que prenda tão épica! Ainda estou em choque! - sussurrou Howl.

- Ainda bem que gostaste! Fico mesmo muito feliz!

- Vai ser a minha camisola da sorte a partir de agora! Obrigado! És um tolo!

- Meh... mas tu gostas! - gozou João, pondo a língua de fora.

- Claro que sim! Cada vez mais! - rematou Howl, voltando a abraçar-se a João. - Olha, amanhã vens ver-me jogar? Ao tempo que não estás comigo...e não tens vindo assistir aos meus jogos.. 

João sorriu e acenou com a cabeça.

- Claro que sim! Lá ia perder uma partida destas! Ainda por cima contra o Sporting! Vai ser bonito, vai!

- Shim! Vai ser altamente! Ohh, vamos fazer directa?

- Hum, é melhor descansares, campeão! O jogo vai ser difícil! E o teu corpo precisa de descanso!

Howl suspirou, levemente aborrecido.

- Prontos, está bem... Vou tomar um duche! Estou a precisar...!

No dia seguinte...

S. Miguel estava em festa. Era a primeira vez que o clube da terra chegava tão longe num evento de futebol! Todo o povo andava na rua, cheio de bandeiras e cachecóis, a cantar! Parecia que já tinham ganho o jogo, tal era a euforia! O jogo ia ser transmitido na televisão, pelo que o nervosismo aumentou consideravelmente. Os jogadores do S. Miguel não estavam habituados a tanto protagonismo mas estavam a gostar daquele ambiente. 

Howl saiu de casa muito cedo, ainda João estava a dormir. Uma carrinha da equipa veio buscá-lo, pelo que ele deixou um bilhete a João, fazendo votos de que este fosse assistir ao jogo. Quando João acordou, recebeu o bilhete de Howl, que tinha-o entregue a Sheila. Entretanto, Kojiru, Acácio e George apareceram para tomar o café da manhã. A dada altura...

- Lord João, eu e o Kojiru temos uma reunião com Jéssica e Milú! Esperemos que não se importe de entregar o troféu do torneio em nosso nome! - declarou Governador George.

- A sério? Uma reunião hoje? - perguntou João, franzindo o sobrolho.
 
- Sim, vamos discutir os resultados da reunião de ontem! Era para ser daqui a uns dias, mas face ao que apuramos, decidimos reunir-nos o mais breve possível...

- Compreendo, senhor.

- Em representação delas, estará o Historiador Mark...

- Hum... está bom, senhor governador...

- Bom, Kojiru, Acácio, vamos embora? - inquiriu George, levantando-se da mesa. - Um bom dia para si, Lord João! E boa sorte para o Howl!

João fez uma leve vénia e rematou:

- Obrigado senhor! Que tudo corra bem com vocês também!

Não tardou muito para que o governador e os restantes seguissem para o aeroporto, rumo a Portugal, onde se iriam encontrar com Milú e a filha. Quanto a João, seguiu até ao estádio, onde aguardava na tribuna VIP por Mark. Perguntava-se se este levaria os documentos que ele lhe tinha pedido. Minutos mais tarde, Mark chegou! Vinha vestido de forma muito informal, o ideal para um jogo daqueles. Camisa vermelha axadrezada, casaco preto, umas calças de ganga e umas botas. O seu cabelo estava um pouco maior que da última vez que estiveram juntos, fazendo alguns caracóis aqui e ali. Quando viu João, abraçou-o com um grande sorriso!

- Olá João!

- Olá Mark! Como estás?

- Estou muito bem, obrigado! E tu?

- Hum...podia estar melhor, mas pronto...

Mark sentou-se ao lado dele e procurou consolá-lo, dizendo:

- Ouve, eu sei que algo de muito sério se passou da última vez*. Mas tenho esperança que tudo se acabe por resolver! Assim como esta guerra estúpida! Entretanto, consegui o que me pediste!

[* Nota do Autor - ver Prisioneiros do Amor ~ Capítulo 15]  

Com um sorriso triunfante, João recebeu os documentos que Mark lhe entregou. 

- Obrigado, meu querido amigo! Finalmente uma boa notícia!  

- Então...o que vais fazer com esses documentos? 

- Este não é o local certo para te explicar... podes ficar para almoçar? Assim, poderemos falar à vontade!

- Está bom, eu fico! Mas depois terei de partir cedo, caso contrário, levanto suspeitas...

- Claro, eu entendo... Ainda vivemos tempos de crise... Temos que ter muito cuidado...  

- Exacto... 

Ambos olharam pela janela. O campo do S. Miguel estava situado num local rodeado de árvores. A bem dizer, era na periferia de uma floresta. Era um campo simples, mas muito bonito e bem utilizado. Na entrada ao público, existia um parque infantil, para que as pessoas que tivessem crianças pequenas pudessem estar e ainda assim pudessem acompanhar os jogos, já que o campo de futebol era mais à frente, no fundo de uma encosta. Mesmo ao lado desse parque infantil, existia um campo de relva sintética, onde decorriam os treinos do S. Miguel. No lado direito desse campo estavam os balneários e a tribuna VIP. Descendo uma encosta alcatroada, estavam as bancadas e o acesso ao campo de futebol.  Havia também uma zona de relva verde, com muitas chorões em fila, tornando aquela área muito agradável para se estar encostado às árvores ou deitado na relva a ver os jogos. No fim dessa "zona verde" havia um snack-bar para o público ir comer e beber durante os jogos. Aos poucos, o campo começou a encher. Como o jogo era nos Açores e o estádio não era grande, rapidamente o mesmo encheu por completo. Não tardou muito para que as equipas começassem a fazer os aquecimentos. 

Howl estava furioso! O treinador não o colocara como titular nesse jogo, sendo apenas suplente! Passadso uns minutos, as equipas regressaram aos balneários e não tardou muito que voltassem ao campo, para que o jogo tivesse início. O jogo começou e a equipa de S. Miguel rapidamente foi dominada pelo Sporting. Tudo corria mal. Desde passes, remates e até as defesas do guarda redes, que só na 1ª parte deixou entrar 6 golos!

Ao intervalo, perante tamanha chacina, o treinador do S. Miguel mandou Howl começar a aquecer. Quando o intervalo acabou, Howl sentou-se novamente no banco. Mal a 2ª parte teve início, sofreram o 7-0! Howl levantou-se irritadíssimo e começou a discutir com o treinador!

- É a honra da equipa que está em jogo, cara***! Deixe-me entrar!  

O treinador virou-se para ele e disse:

- Muito bem...vai lá então! Que saia o Mendes! Vai entrar o "Neymar"*!

[* Nota do Autor - Howl é conhecido por Neymar nos jogos de futebol, graças às suas semelhanças de jogar em relação ao Neymar Jr.].

Mal entra no campo, a equipa de S. Miguel dá o pontapé de saída pela sétima vez naquele jogo. Passam a bola a Howl. Ele, recebendo a bola com uma marcação cerrada atrás dele, engana-a, fingindo que vai para a esquerda e rodopia para a direita. Mal ele se livra daquele adversário, aparece outro à sua frente. Com um toque sublime, ele coloca a bola no lado direito do adversário, indo ele pelo lado esquerdo e recuperando a bola uns metros à frente.

Quando ele recupera a bola, vem logo um novo adversário em sua direcção! Ele simula que vai para a esquerda e puxa a bola para o centro do terreno, rematando, com violência, à baliza, marcando o primeiro golo para o S. Miguel!

O estádio delira! O público festeja o primeiro golo da equipa da terra! 

A bola é reposta em campo e o Sporting faz um contra ataque fenomenal, deixando a equipa de S. Miguel sem reacção. Não tardou muito para que estes sofressem o oitavo golo. Howl, irritado, pegou na bola e colocou-a no meio campo, onde o S. Miguel da o pontapé de saída. Um dos colegas passa-lhe a bola e este começou a correr pela linha e passa a bola ao Alex, o seu colega mais adiantado. Howl correu para a extremidade esquerda e recebeu um cruzamento forte de Alex. Howl, com dificuldade, consegue passar a bola para as suas costas, onde está Serginho e, rapidamente, corre para o meio, recebendo o passe do mesmo e rematando para o fundo da baliza, fazendo assim o 8-2.

O público, ao ver aquela jogada fantástica ficou sem reacção! Quando viram a bola a entrar, todos gritaram a plenos pulmões "Howl"!

A bola é reposta novamente em campo. Faltavam poucos minutos para o jogo terminar. O Sporting dá o pontapé de saída e após muita pressão e luta, acabam por marcar e o árbitro apitou para o final da partida.

Cabisbaixos, os jogadores do S. Miguel dirigiram-se aos balneários, enquanto os do Sporting fizeram uma grande festa, verde e branca. Mark e João, os representantes das Terra do Sul e do Norte, dirigem-se para o campo, entregando o troféu ao capitão do Sporting, que junto com os colegas, o levanta, para delírio do público sportinguista!


Depois do jogo João, Howl e Mark seguiram juntos até um restaurante.

- Então o que vamos comer? Estou cheio de fome! - suspirou Howl.

- Vamos pedir dois pratos típicos de S. Miguel, já que o Mark nunca cá esteve! - brincou João, piscando o olho a Mark.
  
- Owww...a sério? Não é preciso, João! - respondeu Mark, levemente corado.

Quando o empregado veio, João pediu Assado Misto e Chicharros com Molho Vilão. Com um sorriso, o empregado tomou nota das bebidas e do pedido e passado um bocado, trouxe os pratos!

- Aqui está senhores, bom apetite!  



- Obrigado! - responderam os três amigos, com um sorriso.

E assim, entre garfadas e dois dedos de conversa, João foi explicando o que se estava a passar, as suas suspeitas e o que o levara a pedir a Mark para lhe arranjar aqueles documentos. Quando terminou, Mark mostrou-se surpreso com as revelações!

- Então tu achas que a Jéssica e o Kojiru têm ligações com os Montecchios e os Capuletos? 

- Eu acredito que eles sejam os descendentes actuais deles. E se assim for, isso quer dizer que eles são vítimas de uma antiga maldição que corre em ambas as famílias...

Howl, que saboreava uma "Fofas da Povoação" [um doce típico da ilha], engasgou-se e entre tossidelas, perguntou:

- Uma maldição?

João deu um gole no licor de ananás e pousando o copo, respondeu:

- Sim. Segundo o que eu sei, tudo começou durante os conflitos entre as famílias Montecchi e Capuleti, em Verona, em meados do século XIIIQuando aconteceu a tragédia de Romeu e Julieta, ambas as famílias uniram-se. Mas ainda assim, o preço que o sacrifício dos filhos pagaram fora demasiado alto - e foi assim que nasceu a maldição "Horkos Plegma"*.

[*Nota do Autor - em grego significa algo como "O Julgamento da Desgraça"] 

romeo-x-juliet

- E que maldição é essa? - perguntou Mark.
 
- Bem, desde que aconteceu essa tragédia, que nunca mais houve felicidade em ambas as famílias. Não tardou muito para voltarem a entrar em guerra. E tem sido assim ao longo dos tempos, Montecchios contra Capuletos. Segundo o que se diz, a única forma de quebrar a maldição é haver a morte de alguém inocente, que morresse para salvar algum dos casais que se apaixonasse e que fosse de ambas as famílias. Assim, o sangue de Romeu e Julieta seguiria correndo nas veias dessas pessoas, até à actualidade. 

Howl, que estava estupefacto, indagou:

- Sendo assim, a maldição já devia ter terminado, ou não?

- Ao longo dos séculos, ambas as famílias tem mantido más relações uma com a outra. A guerra entra elas manteve-se durante muito tempo, perdendo-se o rasto no século XVIII, quando decidiram partir para outros países.... Mas tal como as guerras entre eles, o amor proibido também tem existido ao longo dos tempos..

- E tu desconfias que o Kojiru e a Jéssica sejam os últimos descendentes vivos de ambas as famílias, João?

- Sim Mark, é isso mesmo que eu penso. O Michi e eu andávamos a estudar e a explorar a árvore genealógica deles, mas debatemo-nos com a falta de dados - estes que tu acabaste de me fornecer. Agora só falta decifrar estes escritos e encaixar as últimas peças do puzzle! 

- Existe mais uma coisa... - disse Mark. - Há um cofre com os emblemas de ambas as famílias na Torre do Tombo, mas para isso é preciso uma chave especial. 

- Que chave é essa? - perguntou João, curioso.

- São precisos dois instrumentos musicais, pertencentes às famílias de Kojiru e de Jéssica! Mais concretamente, duas liras! - respondeu Mark. 

- Espera lá...! Eu já vi essa lira, lá na sala de instrumentos! - afirmou Howl, com um ar surpreendido.

- Agora que falas nisso, eu também... - murmurou João. - Mark, vamos precisar de abrir essa caixa! Lá devemos encontrar algo importante!

- A questão é... vocês têm acesso à lira, mas eu não tenho tanta facilidade assim. Quem costuma frequentar a casa da Jéssica é o Caim, não eu...

João fungou.

- Bem, pedes a ele para procurar a lira e te entregar. Assim que houver essa oportunidade, avisas-me e eu parto para Lisboa, encontramos-nos, abrimos a tal arca e o Caim pode devolver a lira, sem que ninguém se aperceba de nada!

- É um bocado arriscado...mas creio que temos de agir... E agora João, Howl, eu lamento muito mas tenho que ir. Já está a ficar um pouco tarde e a viagem até Lisboa ainda é grande! - rematou Mark, levantado-se.

João e Howl levantaram-se também, acompanhando-o até ao carro.

- Uma vez mais obrigado! Daqui a uns dias já saberei mais alguma coisa sobre isto! - exclamou João, dando um abraço a Mark.

- Não tens de quê, João! Já sabes alguma coisa sobre o Thiago?

- Terei notícias daqui a 2 dias, altura em que me reunirei com os meus Dragonz!

- Owww! Muito obrigado! Adeus! Adeus!

- Adeus! Boa viagem!

E assim, Howl e João despediram-se de Mark, que rapidamente chegou ao heliporto e seguiu para Lisboa.

A notícia que João estava doente chegou aos ouvidos do governador nessa tarde. Um dos seus espiões entregou uma cópia do relatório médico que João havia recebido em Madrid. Intrigado, o governador procurou o filho e perguntou-lhe se este sabia que João estava doente e que em breve iria ser operado. Kojiru respondeu que sim, que Howl lhe havia contado sobre isso e que João iria na terça feira seguinte ao Porto para tratar disso. Acácio, que estava a dirigir-se para o seu quarto, ouviu a conversa e não tardou a correr para o seu carro, onde telefonou a Agostinho a contar as novidades...        

[Continua...]
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